11/12/2025


QUE PLANO É esse articulado nos bastidores de

 São Lourenço?

Decidir o futuro da cidade é definir o futuro

 de cada pessoa que vive nela.


Quem define seu caminho, cidadão?

São Lourenço está conduzindo um Plano Diretor que ignora as pessoas, traçando limites e justificando métricas que não respondem ao desejo da população. Antes de qualquer plano ser aprovado, tudo o que se planeja deve ser amplamente comunicado e discutido com a população. Os representantes políticos eleitos precisam se pronunciar e responder aos anseios da cidade.

O Plano Diretor de São Lourenço define o caminho da cidade e da sua vida. Ele diz como, quanto e por que a cidade deve crescer. Ele vai definir como serão as ruas, os bairros e o que vai existir neles, inclusive ao lado da sua casa. Por isso, é hora de fazer escolhas acertadas, que respondam às necessidades reais dos moradores. É preciso discutir projetos sustentáveis, os ODS da ONU e o modelo de cidades-esponja, que promovem maior qualidade de vida para todos e inibem sérios problemas socioambientais. É hora de se atualizar. Não podemos seguir um modelo de urbanização do século passado. Nossas necessidades são outras. Não estamos em 1950. Os tempos são outros – e são emergenciais.

 

Sua vida não cabe numa prancheta de escritório


Sua vida não pode ser encarcerada, nem os seus sonhos definidos por quem mal te conhece, por quem desconhece suas dores, seus medos e seus prazeres. Você precisa dizer quem você é e o que escolhe. Quando se planeja a urbanização de uma cidade, o que está em jogo é o caminho que você vai ter que cumprir dentro dela: por onde você vai andar, o que vai encontrar nesse trajeto, quais espaços serão acolhedores e quais nem deveriam existir naquele local. O Plano Diretor de São Lourenço não é um desenho técnico neutro. Ele é, na prática, o roteiro da sua vida cotidiana. Qual roteiro você escolhe? A lei dá a você o direito dessa escolha.

 

São Lourenço não pode ser desenhada contra quem vive nela

A cidade de São Lourenço não pode continuar presa a parâmetros antigos de urbanização, que ignoram a qualidade de vida das pessoas que moram aqui.

Os cidadãos têm, legitimamente, o direito de escolher como querem que a cidade seja. Essa escolha não pode ser concentrada arbitrariamente nas mãos de uma pessoa, nem de um pequeno grupo que age como se a população fosse incapaz de decidir e precisasse ser conduzida como gado.

Não. Os cidadãos não podem ser tratados como prisioneiros e silenciados dentro de sua própria cidade. Somos todos livres para fazer escolhas, para decidir onde viver, por onde caminhar, que paisagem queremos ver da nossa janela. Um Plano Diretor democrático para São Lourenço precisa reconhecer essa liberdade e transformá-la em regra, e não em exceção.

 

Plano Diretor de São Lourenço: atrasado no tempo ou conectado ao mundo?

A política pública de São Lourenço, exercida pelos poderes instituídos, precisa se atualizar. É urgente que o município se conecte às discussões mais modernas sobre desenvolvimento urbano: cidades que colocam as pessoas no centro, que distribuem oportunidades, preservam o meio ambiente e pensam o crescimento econômico sem sacrificar o futuro. Isso significa acessar e aplicar o que há de mais consistente em engenharia e arquitetura urbanística, adotando modelos que priorizam qualidade de vida, igualdade social, equilíbrio ambiental e economia sustentável, com justa distribuição de riquezas e oportunidades. É exatamente essa a lógica dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), que tratam de cidades e comunidades sustentáveis, redução das desigualdades, ação climática e proteção da água e da vida terrestre. Não são conceitos abstratos: são compromissos concretos que precisam aparecer no Plano Diretor, nas leis e, principalmente, nas obras e decisões do dia a dia.

 

Cidades-esponja: uma cidade que aprende a segurar a própria água

No mundo inteiro, uma das tendências é o conceito de “cidades-esponja”: projetos urbanos que tratam a água da chuva não como inimiga, mas como aliada, criando parques, jardins drenantes, calçadas e pavimentos que absorvem, filtram e retardam o escoamento da água, reduzindo enchentes e melhorando o microclima urbano.

Em São Lourenço, esse conceito já foi apresentado pelo vereador Herbert Santo de Lima, da Coletiva Semear – PV, e aprovado como projeto de lei na Câmara Municipal – um passo importante que precisa, agora, ser levado adiante pelo Poder Executivo no planejamento, nas obras e nas prioridades do orçamento. Lei sem ação não tem valor. É só um papel timbrado em pasta bonita, esquecido na gaveta.

 

O princípio que separa um plano público de um projeto de poder

O princípio básico que justifica qualquer política pública é simples: cuidar do cidadão. Sem isso, nenhum plano, nenhuma lei e nenhum discurso faz sentido.

A pergunta que São Lourenço precisa fazer ao seu Plano Diretor é direta: este projeto cuida, de verdade, das pessoas que vivem aqui – ou só abre caminho para interesses que passam por cima delas? É esse tipo de pergunta que a Cida.da.Nia quer trazer, para que ninguém mais decida o seu caminho sem ouvir a sua voz.


Glêner Piantino - JP29220MG

08/12/2025

OS DONOS DO PODER

Cidade capturada. Por que a ausência do povo custa direitos?

 

O poder na cidade não está em um cargo. O Poder é um direito de todo cidadão. A Constituição é explícita: todo poder emana do povo e só faz sentido quando volta para ele em forma de serviços e resultados. Prefeitos e vereadores existem para materializar prioridades definidas pela comunidade — nada além disso. Quem dá as cartas é a população. Quando a sociedade abdica desse lugar, abrem-se atalhos para projetos de ocasião, para o improviso e para a cidade ser tratada como propriedade privada. O município só se reconhece como coletivo quando o cidadão se reconhece como sujeito de poder.


Executivo e Legislativo são servidores da população, não tutores dela. Cabe ao Executivo executar o plano de governo e prestar contas; à Câmara, fazer leis e fiscalizar com rigor técnico. Os dois poderes operam com dinheiro público, sob regras públicas, para finalidades públicas — logo, devem respeito, transparência e responsabilidade a quem paga a conta: o contribuinte. Portais de dados, audiências, pedidos via LAI e respostas formais não são gentilezas; são obrigações! E obrigação cumprida se mede com cronogramas, metas e entrega de resultados.


A política urbana já traz o mapa da rota: função social da cidade e da propriedade, planejamento e gestão democrática. Em bom português, a cidade pertence à coletividade — e isso se traduz na prática quando a população participa do orçamento, acompanha obras, comparece às audiências, ocupa conselhos e protocola suas demandas. Quando o cidadão pauta, delibera e monitora, o interesse público deixa de ser retórica e vira critério. É a sociedade que diz o quê deve ser feito; governo e Câmara discutem como e quando, dentro da lei e do orçamento.


Sem gente participando, a cidade vira planilha: números frios, decisões fechadas, prioridades trocadas. Com gente, vira projeto comum: metas claras, escolhas justificadas, prestação de contas contínua. A resposta à pergunta “quem manda na cidade?” é simples — você.


Tome esse lugar com serenidade e firmeza: informe-se, cobre, proponha, fiscalize. Quando o cidadão ocupa o topo do organograma, o resto da máquina pública funciona no lugar certo: a serviço do povo.

EM SÃO LOURENÇO, A ÉTICA PRECISA SER OUTRA - o poder, de todos

Pompa, Bajulação e Silêncio: como se fragiliza a democracia local

São 13 vereadores, um prefeito e um vice-prefeito em cargos assumidos por delegação do poder popular, legitimados pelo voto. Por consequência, somam-se ao conjunto dos empossados o secretariado e os cargos de confiança, nomeados a critério dos eleitos. Até aí, tudo certo: seguimos o desenho do regime democrático brasileiro e a legislação federal. A população escolheu, elegeu e lhes delegou o ofício de trabalhar pelo desenvolvimento do município e pelo bem comum.


O problema começa depois que os eleitos assumem seus cargos: as concepções de poder se invertem e o sistema democrático se fragiliza. O que antes era poder popular passa a ser poder dos treze — de um ou do outro. Se intitulam como "autoridades" e se tratam como "Vossa Excelência", criando mais uma distância entre os ditos e a população, justificada por protocolos que não convencem a niguém. O pós-eleição segue como um grave erro e uma institucionalizada contradição, que corrói a confiança pública, distorce prioridades e bloqueia a participação social.


Ainda que o lugar de poder seja atrativo a esses eleitos, com toda a pompa e circunstância de que gostam, a responsabilidade desse lugar não é só deles. Esta condição é sustentada por aqueles que ainda bajulam os tais de gravata e salto alto, dos discursos formais e das falácias da oratória. Como se não fôssemos todos iguais, perante a lei e abaixo do céu, o próprio povo subjugado escolhe a quem empoderar e privilegiar. É preciso mudar essa concepção e repensar antigos paradigmas sociais, aproveitando que o a cidade é pequena e todos se esbarram pelas ruas - sim, podemos nos reconhecer e nos respeitar como personagens de uma mesma história. Somos iguais.


Não precisamos de uma hierarquia equivocada e oportunista, onde os dois lados agem por interesses próprios. A falsa submissão também é uma arma que se disfarça entre convardes. Que sigamos todos em um ambiente mais igualitário, cada um com sua função, direito e lugar de existir. Um consciente do que confere ao outro. A autoridade não pode ser autoritária, tampouco se colocar como dona de uma hipotética verdade. Se à frente do palanque ninguém se colocar, o discurso terá que se calar. Oratórias eloquentes não se mantém sem aplausos. Nada segue só, do outro lado há um contexto que se realimenta. Não há um autor do poder - o que existe é uma coautoria.


Ao contrário do que se vê, caberia aos eleitores um pouco mais de autoestima e empoderamento. Aos eleitos, a reavaliação do lugar que ocupam e dos serviços que devem prestar.  Na realidade, tudo deveria seguir como em época eleitoral - a população fazendo escolhas e os candidatos se submetendo a servir os interesses coletivos.


                                            Glêner Piantino - JP29220MG